Deste quarto contemplo um silencioso deserto
Desta mesa vivo um admirável mundo novo
Destes versos oro em confiança, e investigo
Uma presença sem contornos por detrás
Dos versos, das mãos, dos pensamentos e do peito,
Sustenta.
Dentro desta pele não se tem mais certeza
Dentro desta pele uma espera irracional
Dentro desta pele e além
Das víceras, das imagens, dos humores, quem?
Quando pensa, quem?
Quando sente, quem?
Quando silêncio, quem ?
E tudo vazio, quem?
Quando ninguém diz, ninguém,
quem?
Deste quarto há além
Desta mesa é manifesta
Desapareço,
Este verso me mantém visível
Entre o sonho e vigília
Sem este poema
Quem sabe me espalhe pelo universo
E suma?
Alguém manda na chuva?
Alguém aqui detrás, manda?
Há um vazio
Notável invisível
Nasce em terra viva e fofa,
Instantaneamente
O vazio tem leis diferentes ,
Não sei bem quais são, sinto,
Suavizo e acordo,
Então...
domingo, 23 de outubro de 2011
domingo, 19 de abril de 2009
A poesia como instrumento para o indizível
Converso com uma mulher,
sentados,
um de frente para o outro,
numa varanda maravilhosa.
Existe algo que me conecta a tudo isto
e assim converso comigo mesmo,
olho e sou olhado enquanto isto
e enquanto a mulher,
enquanto piso, sustento os pés,
vento, passo pela pele e sinto
da pele. Já este poema leio com
teus olhos;
brinco com o óbvio.
sentados,
um de frente para o outro,
numa varanda maravilhosa.
Existe algo que me conecta a tudo isto
e assim converso comigo mesmo,
olho e sou olhado enquanto isto
e enquanto a mulher,
enquanto piso, sustento os pés,
vento, passo pela pele e sinto
da pele. Já este poema leio com
teus olhos;
brinco com o óbvio.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
O mundo. Fantástico.
O viver. Desafiante.
Às lógicas . Criação.
Novo tão novo sempre
que de tão novo assusta.
Por vezes. É mais dificil
apenas sentar. Os outros.
Me provocam as trevas e estou
grato por serem. Comigo.
É melhor sentir e assim conhecer.
O ser. É o que há de real ao
nosso alcance. Beijo. E sinto que
somos um. O propósito. Um.
A missão. De cada um.
Que existe é parte do todo.
O idiota. Continua.
Até que se ilumine.
Há os que não estão nem ai.
Levantadores de peso. Duros.
A dureza do caráter. A fraqueza
do homem. Os pássaros. Nos
mostram todos os dias. O céu.
É tão belo que nem mesmo sei
se o capto. Tantos. E tão poucos
humanos realizados. Importâncias.
Obrigar humanos desde cedo é
coisa de perversos. Servos. Querem
conservar seus empregos. Medo.
Isolamento. Repúdio. Prisão. Fome.
Morte. Que sorte. Poder olhar isso tudo.
Descarga. Pelos olhos de quem
sente. Semente. Um botão se
abre derrepente.
O viver. Desafiante.
Às lógicas . Criação.
Novo tão novo sempre
que de tão novo assusta.
Por vezes. É mais dificil
apenas sentar. Os outros.
Me provocam as trevas e estou
grato por serem. Comigo.
É melhor sentir e assim conhecer.
O ser. É o que há de real ao
nosso alcance. Beijo. E sinto que
somos um. O propósito. Um.
A missão. De cada um.
Que existe é parte do todo.
O idiota. Continua.
Até que se ilumine.
Há os que não estão nem ai.
Levantadores de peso. Duros.
A dureza do caráter. A fraqueza
do homem. Os pássaros. Nos
mostram todos os dias. O céu.
É tão belo que nem mesmo sei
se o capto. Tantos. E tão poucos
humanos realizados. Importâncias.
Obrigar humanos desde cedo é
coisa de perversos. Servos. Querem
conservar seus empregos. Medo.
Isolamento. Repúdio. Prisão. Fome.
Morte. Que sorte. Poder olhar isso tudo.
Descarga. Pelos olhos de quem
sente. Semente. Um botão se
abre derrepente.
quarta-feira, 11 de março de 2009
A criação
O essencial me acomete e estes olhos se fecham.
A imensidão vazia me recebe.
Em dançar elevo as mãos para que todo o
ser as siga, a começar pelos olhos.
Ao girar esvaem-se os motivos e as razões.
Danço um rio sem margens.
Sem nome, correntezas fluem pelo templo
quando por vezes surgem gritos de alívio.
A criação,
quão pouco não seria dizê-la?
A imensidão vazia me recebe.
Em dançar elevo as mãos para que todo o
ser as siga, a começar pelos olhos.
Ao girar esvaem-se os motivos e as razões.
Danço um rio sem margens.
Sem nome, correntezas fluem pelo templo
quando por vezes surgem gritos de alívio.
A criação,
quão pouco não seria dizê-la?
domingo, 28 de setembro de 2008
O dia para ser
O dia para ser
uma praça para respirar,
o rio passando de perto,
este momento pousando-se
satisfeito.
Somente um oceano para
explicar
o gosto misterioso da
imensidão.
O sol nasceu e agora se põe no
horizonte;
é um pequeno retrato do divino
movimento
Dentre tantos os risos e os desalentos
Dentre tantos uma porta a cada um
dos momentos
Tanto quanto escrevo me calo
sigo como tudo mais e falo,
falo, falo, falo até que por um
sopro inimaginável paro, me rendo e
vivo.
uma praça para respirar,
o rio passando de perto,
este momento pousando-se
satisfeito.
Somente um oceano para
explicar
o gosto misterioso da
imensidão.
O sol nasceu e agora se põe no
horizonte;
é um pequeno retrato do divino
movimento
Dentre tantos os risos e os desalentos
Dentre tantos uma porta a cada um
dos momentos
Tanto quanto escrevo me calo
sigo como tudo mais e falo,
falo, falo, falo até que por um
sopro inimaginável paro, me rendo e
vivo.
domingo, 14 de setembro de 2008
Durante o caminho
que eu seja capaz de
encontrar, momento a
momento, uma boa
venturança. E sejam os
lábios que me tocam
livres para seguir adiante.
Gostaria que os que
cruzassem meu olhar levassem
deste a poesia e os que caírem
em meu abraço levem consigo
uma doce primavera, pois
a razão do meu viver são
as cores do mar, a força
dos rios, a quietude das
plantas. Nada peço aos
aventureiros atarefados;
estes que deixem pro final
se assim o preferem. Quanto
aos viventes, tantas luas saudamos
no alto da montanha, tantas flores
brotamos dos tambores, dos sopros
da flauta, nos doces vibrares do violão
junto a convictos dançantes pés no
chão. O que quero da vida está aqui,
em ti, em tudo o que há, na vida, na morte,
na poesia, passeando no ar...
que eu seja capaz de
encontrar, momento a
momento, uma boa
venturança. E sejam os
lábios que me tocam
livres para seguir adiante.
Gostaria que os que
cruzassem meu olhar levassem
deste a poesia e os que caírem
em meu abraço levem consigo
uma doce primavera, pois
a razão do meu viver são
as cores do mar, a força
dos rios, a quietude das
plantas. Nada peço aos
aventureiros atarefados;
estes que deixem pro final
se assim o preferem. Quanto
aos viventes, tantas luas saudamos
no alto da montanha, tantas flores
brotamos dos tambores, dos sopros
da flauta, nos doces vibrares do violão
junto a convictos dançantes pés no
chão. O que quero da vida está aqui,
em ti, em tudo o que há, na vida, na morte,
na poesia, passeando no ar...
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