domingo, 23 de outubro de 2011

Deste quarto contemplo um silencioso deserto
Desta mesa vivo um admirável mundo novo
Destes versos oro em confiança, e investigo
Uma presença sem contornos por detrás
Dos versos, das mãos, dos pensamentos e do peito,
Sustenta.
Dentro desta pele não se tem mais certeza
Dentro desta pele uma espera irracional
Dentro desta pele e além
Das víceras, das imagens, dos humores, quem?

Quando pensa, quem?
Quando sente, quem?
Quando silêncio, quem ?
E tudo vazio, quem?
Quando ninguém diz, ninguém,
quem?

Deste quarto há além
Desta mesa é manifesta
Desapareço,
Este verso me mantém visível
Entre o sonho e vigília
Sem este poema
Quem sabe me espalhe pelo universo
E suma?

Alguém manda na chuva?
Alguém aqui detrás, manda?
Há um vazio
Notável invisível
Nasce em terra viva e fofa,
Instantaneamente
O vazio tem leis diferentes ,
Não sei bem quais são, sinto,
Suavizo e acordo,
Então...

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